
Better Call Saul: 6ª Temporada
27 de Agosto de 2022
Após o sucesso de Breaking Bad, Vince Gilligan marcou o seu nome na história da TV por criar uma série que, além de ter tido um apelo popular, foi uma das maiores responsáveis dessa retomada da televisão para um formato mais dramático, como foi com Mad Men, The Wire e Sopranos. E o que acaba sendo curioso é que, se notarmos bem, BCS lembra muito mais as três obras citadas do que BB.
A história de Walter White trabalha com reviravoltas e tramas com a intenção de chocar e envolver o espectador para o próximo episódio, já Better Call Saul é um programa que dá mais valor aos seus diálogos e às relações dos seus personagens, a ponto até de ser contemplativa em alguns momentos. Mas apesar dessa priorização do ambiente em detrimento dos acontecimentos continuar, a quinta e principalmente a sexta temporada são as que mais se aproximam da sensação frenética imposta pela série original.
Essa diferença de ritmo condiz totalmente com a diferença de naturezas entre Walter White e Saul Goodman. Enquanto um foi totalmente escravo das consequências e se corrompeu pela ganância e poder, o outro sempre foi um cara de índole duvidosa, sendo apenas uma questão de tempo para que se tornasse um criminoso nato. Então até faz sentido da trama do primeiro dar ênfase á mudança de acontecimentos, a volatilidade, ao frenesi, em vista que a outra menospreza a pressa ao demonstrar os eventos cotidianos, que pouco tem impacto na transformação do advogado trambiqueiro.
Aqui, assistimos aos personagens já consolidados e desenvolvidos, preparados para a trama de Heisenberg que está por vir. A última temporada prepara o terreno de forma brilhante e, mesmo sabendo o destino de alguns personagens, cada episódio se mostra surpreendente mostrando destino de cada um, e em diversos momentos, acabamos até interpretando diversas ações desse universo de uma forma mais abrangente, como a relação entre Saul e Walter. É chocante e incisivo, tudo acontece na hora que deve acontecer, cada morte tem o seu peso, cada destino dado aos personagens; sejam eles originais de BCS ou de BB; é sentido e tem o fim que se merece.
A série faz um trabalho sensacional ao dar uma sensação de catarse fechando a porta de personagens importantíssimos, onde os atalhos se fecham e o que lhes restam são apenas as opções mais difíceis, e ela nos faz sentir isso de maneira poderosíssima, e isso fica claro em seu último episódio. As conclusões magníficas são os reflexos de um roteiro primoroso, uma iconografia riquíssima em detalhes e um estilo narrativo e linguístico muito único, ainda mais comparado aos trabalhos televisivos da atualidade.
Vince Gilligan, mais uma vez, quebra paradigmas ao criar uma obra profunda e cercada de momentos e personagens inesquecíveis, terminando de forma primorosa a história de um dos protagonistas mais ambíguos e controversos da televisão nos últimos anos.
