
Diego Maradona (2019)
30 de Outubro de 2021
Por que temos referências? Por quem somos guiados? Será que conhecemos realmente a índole dos nossos ídolos e a razão deles serem o que são? O filme de Asif Kapadia vai na contramão de premissas pouco reflexivas e robóticas da avalanche de documentários da atualidade. O diretor nunca vai em busca de respostas prontas, de sentidos para as ações da personalidade retratada, e sim, busca levantar a reflexão a respeito de um homem que, mesmo falhando bastante, se tornou messiânico e importante para a história do futebol.
Maradona pode não ter sido o maior vencedor do esporte, nem o melhor futebolista, mas todas das suas maiores vitórias acabaram acontecendo de formas inesperadas e em contextos desacreditados, e essa noção talvez seja crucial para entender o porquê o jogador sempre teve a sua história marcada para sempre (ainda mais para os mais jovens). Esses feitos são mostrados ao mesmo tempo em que a vida do atleta se torna conturbada e problemática, o que acaba criando uma sinergia que se torna simbólica para a persona que foi Diego, além de fazer com que tenhamos uma proximidade com a pessoa que foi apresentada na tela como se estivesse próximo de nós. Sem saídas fáceis, e sem um final “plausível” ou merecedor, apenas a representação de alguém que, em vida, foi tão humano e falho quanto nós, e assim como qualquer pessoa que já existiu, é complexo e ambíguo.
Diego Maradona (2019) é um retrato profundo e singelo, que abre portas para reflexões poderosas sobre a história de um messias imperfeito.
