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Batman (2022)

20 de Abril de 2022

O nome de Matt Reeves estampado no poster do filme já pode ser um bom motivo para não achar desgastante mais uma versão do Batman nos cinemas. Muito disso por conta do excelente currículo que o diretor tem, e a sua capacidade de fazer grandes dramas com blockbusters sem se deixar afetado pela possível falta de liberdade criativa. E graças aos deuses do cinema, o novo longa do homem morcego foi mais um acerto na sua carreira.


Toda a construção desse universo é um fator muito forte para a imersão. Gotham tem cheiro, tem espírito e a sua sujeira é sentida de forma física e mental. Os ingredientes técnicos são mais do que elementos para torná-lo uma obra mais “atraente”, pois existe todo um esforço de Reeves para que a nossa experiência em cima das adversidades do Batman se torne a mais cru e sensível possível. O que acaba sendo plausível afirmar que esse seja mais um filme de mistério do que de “heróis”, pois a sua densidade e o seu drama são tão concisos que parecem se destoar completamente de outros longas do gênero, tanto no sentido temático sensorial.


A trama enigmática, além de um primor narrativo, cria de forma primorosa uma sensação de um labirinto indecifrável. Sempre há um problema, uma cortina de fumaça, e a cada minuto que passa, a solução parece mais intangível (uma característica muito forte no cinema noir). Essa espécie de teatro criado pelo sistema político e criminal faz com que os dilemas tratados sejam muito maiores do que o esperado, o que também torna as comparações á Chinatown (1974) bem justas. Nesses momentos de mistério e de fuga, o personagem do Charada é quem mais cresce; brilhantemente interpretado pelo Paul Dano; as suas cenas são pontuais e tensas, e está claro que o seu papel não é ter lado, o que acaba o tornando cada vez mais interessante. Também, as dualidades entre a polícia e o crime são muito bem representadas por Jeffrey Wright (Comissário Gordon) e John Turturro (Carmine Falcone).


E aproveitando o gancho sobre os personagens, não dá para deixarmos de falar sobre Robert Pattinson. É impressionante como ele entendeu e soube expressar toda a natureza psicótica e maníaca, mas ao mesmo tempo a tristeza e a inexperiência do jovem Wayne. Mesmo tendo que lidar com as dificuldades do mundo externo, nunca perde a sua vontade de descobrir a verdade e de fazer o que é certo, fazendo com que ele caminhe em uma linha tênue entre a virtude e a perdição.


Confesso que, por conta dessa densidade demasiada, o filme acabou se tornando cansativo para mim em alguns momentos. O ritmo torna essas cenas enfadonhas e pouco objetivas; principalmente no terceiro ato; e essa invariabilidade durante os acontecimentos pode torná-lo cansativo para algumas pessoas.


The Batman (2022), apesar de erros em sua tonalidade, é um filme intenso, misterioso e que sabe usar muito bem as suas inspirações. Um caminho contrário e positivo em meio a um subgênero desgastado.

Batman (2022): Sobre mim
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