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007: Sem Tempo para Morrer (2021)

16 de Outubro de 2021

Chegou-se ao fim. A era Craig foi marcada por, muito mais do que uma desconstrução, mas também uma reconstrução do personagem James Bond, e alguns filmes fizeram isso com excelência. Cassino Royale (2006) introduziu com maestria o espião como um “porradeiro” adaptando-o para a ação contemporânea, já Skyfall (2012) se mostrou ser uma obra bem mais autoral do que os longas feitos anteriormente, tanto pelo seu visual próprio e contemplativo com cenas memoráveis, quanto pela abordagem bem mais realista e pouco previsível do mundo de Bond. Enquanto os outros filmes acabam beirando a mediocridade e não são tão únicos quanto esses dois. Agora, a pergunta que fica é: será que o último longa do ator honra o legado recente e pode ser considerado um fim digno?

O 25º filme da franquia, ao contrário dos anteriores, não busca desmontar elementos já apresentados na saga, pois foi isso que tornou a versão do Daniel Craig como Bond tão inovadora: foi a responsável pela mudança agressiva do personagem para a nova geração e para os padrões do cinema atual. E nesse filme, essa vontade se mostrou escassa, pois a obra é definitivamente um longa de ação mais do que qualquer outra coisa. Isso é um problema? Jamais. O longa se tornou honesto justamente por isso, e talvez seja por conta desse descompromisso que o torna, talvez, um dos melhores filmes da saga. Essa abordagem segura faz com que esse seja uma obra bem única do James Bond.


O casamento entre a ação frenética e grandiosa com as revelações e tensões dramáticas tornam o filme com um timing extremamente preciso (as duas primeiras cenas exemplificam bem isso), apesar de algumas relações entre os personagens não terem encaixado muito bem com o desenrolar do longa, essa abordagem misturando os elementos acabam fazendo com que as quase 3 horas passem voando. E mesmo com a introdução de uma escala mais grandiosa que os outros filmes (coisa que não era tão presente nos outros filmes, a ação parecia ser mais “interna”), o diretor consegue segurar a barra justamente pela noção clara do filme que quer fazer. Esse monte faz com que os dois primeiros atos sejam maravilhosos.


Porém, pelo menos na minha visão, o seu terceiro ato é um dos menos empolgantes do filme, apesar de ter bons momentos e conter uma atuação ilustre do Rami Malek; que faz um ótimo vilão; os acontecimentos foram conduzidos de forma quase mecânica, e isso fica claro em uma cena específica que merecia ser uma das mais empolgantes do filme, mas acaba não tendo o impacto merecido. Apesar disso, o final do filme alinha bem com o resto da saga e dá um fim nobre ao agente britânico.


007: Sem Tempo para Morrer (2021) sofre alguns deslizes em suas últimas cenas, mas é marcante, empolgante, divertido, e dá um desfecho nobre ao James Bond.

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