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Judas e o Messias Negro (2021)

01 de Abril de 2021

Fred Hampton é uma das figuras mais instigantes da história recente americana. É incrível como um ativista tão jovem acabou sofrendo uma morte precoce e se tornou um grande símbolo para a esquerda dos Estados Unidos. A história de como o FBI conseguiu executar Hampton merecia ser contada em um filme de grande envergadura e profundidade.


E, até certo ponto, o filme de Shaka King aborda muito bem as dualidades criadas entre os Panteras Negras e a segurança pública dos EUA. O movimento é retratado com mais seriedade aqui, os seus ideais vão além dos estereótipos já mostrados em outros filmes, e isso contribui para criar uma afinidade pelas suas lutas. Já a presença do FBI mostra perfeitamente a paranoia do governo estadunidense na tentativa de parar os grupos de movimentos raciais.

Essa condução dos conflitos se torna mais interessantes por conta dos personagens, e nesse sentido, o elenco contribui muito para as suas dimensões; tanto o principal quanto os coadjuvantes. Lakeith Stanfield e Daniel Kaluuya estão surpreendentemente bem em seus papéis, onde ambos contribuem para o crescimento de seus personagens justamente por serem tão distintos: enquanto um entrega de forma profunda um personagem que se sente deslocado em ambos os locais, com uma natureza introspectiva e intimista, e que logo depois, leva um enorme peso de culpa em suas costas; o outro se apresenta com um espírito quase messiânico (o que leva ao título do filme), onde as palavras e discursos tem força, o papel de líder é levado ao pé da letra e, essa energia exposta pelo ator ajuda a dar verdade aos pensamentos e ideologias do personagem. Sobre os secundários, Dominique Fishback marca por mostrar um lado mais humano e sentimental do filme, Jesse Plemons se destaca cada vez mais como um ator em ascensão em Hollywood (para quem começou apenas como um personagem pouco visível de Breaking Bad) e Martin Sheen faz pontas interessantes, mesmo que passageiras.

Porém, mesmo que o filme queira se mostrar como um drama rico e relevante pelos seus conceitos, a sua direção é extremamente direta e pouco desafiadora, e isso deixa a entender que o longa se importe mais em seguir uma ordem formal dos acontecimentos e dar vida ao roteiro de forma objetiva, do que criar uma obra realmente original, com uma autoria e linguagem diferente do que se é acostumado. Essa abordagem tradicional faz com que se perca a oportunidade de criar uma grande obra, já que se trata de dilemas que até hoje são importantíssimos, e que, de certa forma, são apresentados de forma competente, mas nada que seja excepcional.


E levando em conta a história que o filme quer contar, a posição do autor é apresentada de forma muito clara desde o começo, já que ele desconsidera todas as falhas cometidas pelos Panteras Negras, o que faz com que o drama se torne mais previsível ainda, já que ele não está preocupado em dar ambiguidade para mais discussões que a obra poderia gerar.

Judas e o Messias Negro (2021) cria dualidades boas até determinado momento, e o elenco está no seu ápice, mas perde oportunidades de ser um filme ainda maior, considerando a memória em torno dos seus fatos.

Eu gosto de experimentar vários estilos e técnicas e nunca tenho medo de enfrentar qualquer projeto ou encontrar maneiras novas e criativas de relatar uma história. Fique à vontade para entrar em contato comigo diretamente se você quiser saber mais sobre meu trabalho ou minha abordagem inovadora.

Judas e o Messias Negro (2021): Sobre mim
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